Declaração do artista

“Nasci e cresci na fazenda dos meus avós no estado da Bahia, nordeste do Brasil. Eles cultivavam feijão, milho, mandioca, tabaco e uma variedade de frutas tropicais. O solo era fértil e verde, com u rio e lagoas cheios de peixes. Ao lado da fazenda havia uma imensa floresta com plantas e animais nativos, e cheia de mistérios …

Quando eu tinha 14 anos, minha família teve que se mudar para a capital, Salvador. Na época era uma cidade com mais de um milhão de habitantes. Foi um choque para mim, cultural e psicológico. Ali conheci o racismo, preconceito e opressão. O Brasil vivia os piores momentos da ditadura militar. Perdi a inocência, comecei a ver o mundo de outra maneira e sentia intensa falta da minha terra natal.

Sofri um choque ainda maior quando voltei para o campo três anos depois. Nada era como antes. Resultado da ignorância de uns e e ganância de outros, tudo na região havia sido devastado. As árvores foram cortadas para vender madeira e carvão, e para plantar capim para criar gado. As consequências terríveis já eram visíveis: O rio e as lagoas tinham secado e o solo fértil se tornou terra de maldição. Senti uma vontade enorme de lutar pela proteção da natureza. Telas, tintas e pincéis são as armas que uso para mostrar às pessoas a importância da natureza. Espero que a minha pintura tenha um efeito positivo, para que um dia a mãe terra possa voltar a respirar e sorrir sem medo deste bicho chamado homem.”